quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Capítulo 1

    Meu nome é Alice Marie. Morávamos em Portugal, éramos uma família de classe média alta, meu pai era gerente de uma empresa imobiliária e minha mãe, dona de casa com fama de doceira. Minha mãe, Cleo, sempre fez doce muito bem, chegou até a começar um negócio caseiro, mas o verdadeiro cozinheiro da casa sempre foi meu pai, Philipe. Nasci em Portugal, assim como todos da minha família, e seis anos depois de mim nasceu Marylin Magdlaine, sim, meus pais queriam um nome bem diferente. Desde pequena, adorava passar horas observando as estrelas, era meu refúgio, imaginar que havia um espaço inexplorado além de nós fazia-me delirar, eu queria saber de tudo, conhecer tudo, descobrir novas informações. Como pôde perceber eu sempre fui uma criança curiosa e bem desinibida, aplicada na escola, com muitos amigos e o sonho de ser uma grande Astrônoma. Katherine, minha amiga mais antiga, era minha vizinha e nos encontrávamos sozinhas à noite para observar o céu, mas ela não compartilhava tanto dessa paixão, era apaixonada pelo mar, por essa razão, nosso lugar preferido era o pequeno aquário que tinha na cidade. O tempo foi passando e logo nasceu minha irmã, atraiu a atenção de todos, como todo bebê, e eu morria de ciúmes no início, mas aos poucos percebi que isso deixava minhas saídas noturnas mais fáceis, então podia desfrutar melhor meu amor pelos astros. Quando eu estava cursando o 7º ano surgiu meu primeiro “namorico”, meus pais descobriram e foi o maior “bafafá”, então eu, como toda menina certinha e obediente que era, desisti logo dessa paixão. Falando assim até parece a família feliz não é? Pois é, quem diz que toda família tem que ter algum problema grave? Mas, bem, problema fui eu! Ao passar dos anos fui virando a “menina rebelde” dos filmes, não queria nada com nada, até abandonei as estrelas. Ninguém sabia o porquê, mas eu só queria atenção! Mary recebia mil e um mimos, e ela já tinha oito anos, e eu, com quatorze, era deixada de lado. CLARO que tudo não passou de uma crise de adolescente. Quando eu tinha 17 anos consegui uma bolsa de intercâmbio nos EUA, falo inglês fluente desde os 15 anos, e após muita burocracia, quando completei 18, consegui a licença para morar lá. Foi fácil estabilizar-me no novo país, meu pais me deram um bom dinheiro e consegui alugar um apartamento. Trabalhei na recepção de um hotel para ajudar a pagar a minha faculdade que iniciei alguns meses depois de minha chegada. Astronomia era o meu desejo, mas acabei optando por engenharia civil, algo mais ao meu alcance naqueles tempos, já que o mercado de trabalho era maior. Quando terminei os cinco longos anos de faculdade muitas coisas haviam mudado. Consegui um emprego em Los Angeles, cidade das celebridades, e passei a morar sozinha em um apartamento próprio. Aos 23 anos tive meu primeiro relacionamento sério, Victor, que se assustou em conhecer uma mulher virgem de 23 anos. Infelizmente ele se mudou para Miami e a distância não cooperou. Victor foi meu primeiro e único namorado, agora, em 2013, com 26 anos, tenho apenas ficantes, virei até a piada da família, a “encalhada”. Moro no mesmo endereço e no andar de baixo, mora minha atual melhor amiga, Megan, e ela fica mais aqui do que na própria casa. Posso parecer tímida, mas se juntar nós duas, ninguém me segura. Ela é totalmente diferente de mim, e isso é o que faz dar certo! Aliás, combinamos dela vir assistir um filme aqui hoje, deve estar subindo logo. A campainha toca e lá está Megan. Aí que a história começa!
   -Oi Lice!- diz ela sorrindo- Eu tenho uma bomba pra te contar, mas primeiro, A PIPOCA TÁ PRONTA?- tenho que rir de seu jeito afobado. Seus cabelos castanhos estavam soltos e ela estava toda agasalhada, afinal estamos no rigoroso inverno.
   -Ah folgada, eu procuro o filme e você faz a pipoca!
   -Tah, tah, só quero minhas pipocas!
    Ela foi estourando as pipocas enquanto eu peguei as cobertas e as levei na sala, achei o filme e fiquei esperando-a.
   -Pipocas!- exclamou arregalando os olhos.
   -Já entendi que você gosta de pipoca, agora senta e fecha o bico. - brinquei.
   -Ah é assim? Vou pra casa então!- fingiu-se de ofendida- Mas eu levo a pipoca junto!- fala fazendo-nos gargalhar.
   -Mala!- resmungo assim que ela se joga sobre mim.
   -Mala que você não vive sem, admita!- diz fazendo beicinho.
   -Convencida! Mas qual era a notícia bombástica que a senhora queria me contar?
   -Senhora? Que papo é esse? To tão velha assim?- fala passando a mão pelo rosto- Enfim! Você não acredita quem eu vi na balada “monstra” ontem!
   -Primeiro, o que você estava fazendo em uma balada ontem?
   -Amor, era sexta-feira o que você quer? Você que fique com seus livros, sua coberta, seu amado frio, suas estrelas e deixa-me ir pra balada, aliás, você devia me acompanhar ta mocinha? Vive enfurnada em casa!
   -Esse não é o assunto- não gosto que critiquem meu jeito.
   -Enfim, eu encontrei nada mais, nada menos que Bruno Mars- falou ela gritando.
   -Uau, mas tudo isso só porque viu ele? Já passei por ele em restaurantes, nas ruas, várias vezes, você também!
   -Nossa como ele é lindo- continua ela ignorando o meu comentário- Gato! Mas você não entendeu, eu ENCONTREI ele, encontrei os cachinhos dele, encontrei a boca dele!- diz mordendo os lábios.
   -AAAAAAAAAAAAAAAHHH MEGAN!- gritei- Sério?- estava boquiaberta.
   -Super sério, e como tem pegada- falou ela rindo.
   -Megan!- parecíamos duas adolescentes- Poupe-me dos detalhes! Mas, hum, ele não tem namorada? Uma modelo se não me engano.
   -Tem sim, uma tal de Jessica, mas lá estava só com os amigos... eu acho, não prestei muita atenção- falou naturalmente.
   -Iiihh desceu no meu conceito!
   -Lice, acorda! Nesses tempos não tem isso de namoro perfeito, como contos de fadas! Eu não ia desperdiçar essa chance!
   -Você já sabe minha opinião...
   -Olha, nem todos são como Victor, ele é um tipo raro... e passou! Você já tem 26 anos e foi pra cama com quantos homens?
   -Isso não vem ao caso, ninguém entrou no assunto, só odeio traição!- falei já irritada.
   -E quem gosta? Mas agora é assim, e é bom você se apressar, até Mary está namorando, quer virar uma velha sozinha?- fez uma pausa- Ah desculpa! DESCULPA! Eu não queria falar tudo isso! Desculpa?- pediu fazendo biquinho e me abraçando, nisso derruba toda pipoca na coberta.
   -Olha isso! Olha o que eu tenho que aturar, uma amiga pegadora que derruba pipocas na minha coberta! Vou fazer você lavar!- falei sorrindo e ela me abraça- A gente ta perdendo o filme!- avisei enquanto estava sendo esmagada pelo seu abraço.
   -Ah é verdade!- diz ela me soltando e comendo uma pipoca que estava na coberta. - Que filme?
   -TAM TAM TAM TAM! Titanic! Lançamento- falei.
   -O filme que não importa quantas vezes você assistiu, sempre irá chorar!- diz ela fingindo estar limpando as lágrimas.
   -Eu choro é na hora que ela joga aquele colar lindo no mar, eu quero ele!- falo fazendo-a rir.
   -Cala a boca que quero ouvir!
   -Folgada!
    No meio do filme eu já nem prestava mais atenção, o fato de minha melhor amiga ter ficado com um astro não saía da minha cabeça. Principalmente o BRUNO MARS, ele é um gato, mas eu estou com medo de algo acontecer, Megan se envolve facilmente e ele tem namorada, então...
+++
    Dor nas costas! Megan e eu acabamos adormecendo no sofá ontem, ela estava toda atirada e mal colocada, mas um pequeno sorriso se formava em seus lábios, deve estar sonhando com algo bom... eu não lembro de nada, mas tenho forte impressão de que sonhei, estranho. Levantei e fui até o banheiro, está frio, bem frio! Dá vontade de passar o dia inteiro na cama, uh boa ideia! Nossa estou com olheiras enormes, foi o que pensei quando vi meu reflexo no pequeno espelho do banheiro. Hoje é domingo, e... Droga é domingo, dia 17 de fevereiro para ser mais exata, e vai ter a feira de livros! É um programa de incentivo à leitura, uma vez por mês haverá uma feira de livros por aqui, e eu não resisto a eles. Odeio quando eu decido fazer uma coisa e lembro que já tenho compromisso! Lavei o meu rosto, com a água congelante só pra lembrar, fiz minha higiene matinal e voltei pra sala acordar Megan.
   -Levanta preguiça!- puxei as suas cobertas, o que a fez se encolher.
   -Ai Lice! Você e sua mania de acordar cedo... faça suas coisas e me deixa dormir poxa!- é, isso que é mau-humor matinal.
   -Cedo? Já são dez horas! Levanta que eu quero arrumar essa sala, tem pipoca pra todo lado...
   -No fim de semana dez horas é como se fosse seis! Sabe quem você parece? A minha mãe... - diz levantando-se lentamente e indo em direção ao banheiro.
    É, a relação dela com sua família nunca foi das melhores, provocada, principalmente, pelo seu jeito de ser. A mãe de Megan, Judith, sempre foi muito recatada, das antigas, e seu pai, Julius, machista. Não dei bola pra suas reclamações e arrumei aquela bagunça, não que eu seja obcecada por limpeza, mas não gosto de viver no meio da sujeira. Fui até a cozinha e comecei a preparar o almoço, já que o café da manhã não tem mais chance a essa hora!
   -Hmmm! Que cheirinho bom! Não me diga que está fazendo o delicioso macarrão da Alice!- diz ela saindo do banheiro.
   -Ah o senhor mau-humor já foi embora?- debochei- E, sim!
   -Ai você sabe que eu não resisto! Eu não posso engordar... - diz ela apalpando o abdômen, como se houvesse gordura ali.
   -Ah pare de ser chata ou vai fazer miojo de legumes e coma sozinha também!
   -Ih acho que o senhor mau-humor não foi embora não, só incorporou em você- falou ela beliscando a minha cintura.
   -Há-há-há muito engraçado, começa a arrumar a mesa, ou faz um suco.
   -Tá bom mãe, mais alguma coisa?- fala ela fazendo-me rir, odeio quando estou irritada e me fazem rir.
   -Não filha amada, por enquanto é só isso mesmo.- entrei na onda.
   -Ow não tem laranja aqui!- grita ela da despensa.
   -É lógico, por que eu acho que a laranja fica na fruteira, não?- falei.
   -Credo, ta com a patada no modo automático hoje hein, coitado dos gatinhos que partirem pra cima...- brincou.
   -Ai Megan, só você- falei, rindo- Você vai hoje comigo né?- experimentei o molho, que, aliás, estava muito bom.
   -Vou?- ligou o juicer e assim que terminou de espremer aquela laranja, continuou- Vou aonde?
   -Não se lembra?- e novamente fomos interrompidas pelo “pequeno” barulho- Na feira do livro!- falei mais alto para ela conseguir me ouvir.
   -Na freira do que?- perguntou ela me causando um ataque de riso. A minha risada é até discreta, mas esses meus ataques não, pareço mais uma foca gripada tendo um ataque epilético.
   -Feira do livro sua surda!- respondi assim que me recuperei.
   -Ah sério que você vai me arrastar até lá nesse frio?- falou ela com certa indisposição na voz.
   -Sério, sério, bem sério! Você prometeu, e sei que alguns famosos cooperaram com o programa, é bem provável que vão à abertura. - chantagem foi o que restou.
   -Será que o Bruno vai estar lá? Ai será?- empolgou-se.
   -Morena! Se ele vai, vai acompanhado né?- dei a real.
   -Oh “Lora”, eu sei, mas olhar não tira pedaço, tira?- falou dando um sorriso malicioso.
   -Acho bom, muito bom!
    Ela continuou fazendo o suco e eu terminando o almoço, meu macarrão é somente a massa com molho branco e calabresa, mas realmente fica uma delícia, quando vim pra cá não sabia fazer muita coisa na cozinha, não herdei esse dom da família, aos poucos fui fazendo e aperfeiçoando a receita. Tenho um temperinho secreto, que é... segredo. Coloquei tudo em uma tigela de vidro e ralei um pouco de queijo em cima, coloquei no forno por uns dois minutos só pro queijo derreter um pouco.
   Coloquei na mesa, e Megan serviu o suco. Entre uma garfada e outra conversávamos sobre algum assunto aleatório, mas sei que por sua cabeçinha só se passava “Bruno”. Assim que terminamos eu lavei a louça e ela secou, como já era passado de meio-dia e a feira começava às duas horas, ela resolveu ir para seu AP para se arrumar. Eu peguei minhas coisas e fui para o banho. Fiquei um bom tempo só deixando a água correr, hoje está um dia pesado, céu fechado, eu gosto do frio, mas não da chuva.
    Fui até o meu quarto e não fiz muita cerimônia para escolher a roupas, deixei meu cabelo solto, apenas fiz uma escova rápida pra diminuir o frizz. Uma maquiagem leve pra disfarçar as olheiras e um batom avermelhado, mas bem natural. Logo Megan estava tocando a campainha.

   -Nossa! Tudo isso é para o Bruno? Quê isso gatinha...- brinquei.
   -Não, o que está por baixo da roupa é pra ele...- brincou ela.
   -Desde quando eu tenho uma amiga tão safada assim? Meu Deus!
   -Desde sempre amor! Vamos?
   -Antes não queria ir, agora ta me apressando... Tá podendo hein Brunão- falei como se ele pudesse ouvir.
   -Ah vai se catar- diz ela batendo em meu braço- Se é pra ir, vamos logo.
    Desliguei as luzes, fechei a porta e fomos até o estacionamento. Acabamos resolvendo ir com meu carro. Estávamos a caminho, e o rádio estava ligado na minha estação preferida, e por acaso, ou não, adivinhe a música de qual cantor que tocou?
   -“Cause you make me feel like, i’ve be locked out of heaven!”- cantava ela.
   -Agora só falta ele começar a nos perseguir… - suspirei!
   -Fica quieta, quero ouvir- falou/mandou ela.
    Ri e continuei a prestar atenção no trânsito, logo depois tocou Miley Cyrus, se não me engano, “We can’t stop” e a vi resmungar algo, brava pelo término da música... Essa Megan não tem jeito mesmo.
   -Chegamos!- falei despertando-a de seus pensamentos.
   -Hum- virou-se e abriu a porta.
    Eu fui indo na frente e logo ela se apressou e ficou ao meu lado, estava com a cara amarrada. Antes de entrar parei e perguntei:
   -Por que está com essa cara?
   -Ué, é a mesma cara de sempre, linda como sempre!
   -Pare de ser bocózona um pouco e diz logo. - ordenei.
   -Pensar que aquela música foi feita pra namorada dele não me fez bem... - demorei um pouco pra entender “quem” “porque” “como”.
   -Ai Megan, acorda menina! Pare de sofrer por coisas inúteis, você só ficou com ele uma única vez- ela abaixou a cabeça e apenas assentiu- Hey, não fica assim, quero ver a Megan de sempre, radiante, tagarela, pagando mico. - ela riu e me abraçou.
   -Eu pago muito mico?
   -Bastante, demais, muito, quase nem pode sair de casa mais, já ta com cara de macaco... - fui interrompida por um beliscão (que não doeu nada por eu estar cheia de casacos) dela.
    -Pois você vai pagar junto!- falou- Uhuul!- gritou em seguida.
   -Por favor, fique triste de novo e me poupe disso... - fiz biquinho.
   -Own tadinha, vida sofrida... vamos ficar aqui pra sempre?
   -Você que está enrolando- falei seguindo em frente.
   -Abre alas pra Megan, porque ela vai arrasar...

   -Ai você ainda me mata de vergonha- suspirei e ri.

Moças eu vou fazer de td pra n acontecer como a outra, e estou pensando com calma o q vou fazer... algo me impede de escrever ela :/ MAAAAS as boas novas é q por pura pressão da senhorita Drielly, quer dizer, por livre vontade, aqui está o primeiro capítulo, espero que gostem ^^

2 comentários:

  1. Essa Megan já ganhou meu coração, mas sinto que essa amizade pode se balançar caso a Alice venha a ficar com o Bruno. Bom, tomara que eu esteja errada. Aiiii eu preciso de mais um capítulo, e prometo que essa eu acompanharei até o fim <3 perfeito.

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