Meu nome é Alice Marie. Morávamos
em Portugal, éramos uma família de classe média alta, meu pai era gerente de
uma empresa imobiliária e minha mãe, dona de casa com fama de doceira. Minha
mãe, Cleo, sempre fez doce muito bem, chegou até a começar um negócio caseiro,
mas o verdadeiro cozinheiro da casa sempre foi meu pai, Philipe. Nasci em
Portugal, assim como todos da minha família, e seis anos depois de mim nasceu
Marylin Magdlaine, sim, meus pais queriam um nome bem diferente. Desde pequena,
adorava passar horas observando as estrelas, era meu refúgio, imaginar que
havia um espaço inexplorado além de nós fazia-me delirar, eu queria saber de
tudo, conhecer tudo, descobrir novas informações. Como pôde perceber eu sempre
fui uma criança curiosa e bem desinibida, aplicada na escola, com muitos amigos
e o sonho de ser uma grande Astrônoma. Katherine, minha amiga mais antiga, era minha
vizinha e nos encontrávamos sozinhas à noite para observar o céu, mas ela não
compartilhava tanto dessa paixão, era apaixonada pelo mar, por essa razão,
nosso lugar preferido era o pequeno aquário que tinha na cidade. O tempo foi
passando e logo nasceu minha irmã, atraiu a atenção de todos, como todo bebê, e
eu morria de ciúmes no início, mas aos poucos percebi que isso deixava minhas
saídas noturnas mais fáceis, então podia desfrutar melhor meu amor pelos astros.
Quando eu estava cursando o 7º ano surgiu meu primeiro “namorico”, meus pais
descobriram e foi o maior “bafafá”, então eu, como toda menina certinha e
obediente que era, desisti logo dessa paixão. Falando assim até parece a
família feliz não é? Pois é, quem diz que toda família tem que ter algum
problema grave? Mas, bem, problema fui eu! Ao passar dos anos fui virando a
“menina rebelde” dos filmes, não queria nada com nada, até abandonei as
estrelas. Ninguém sabia o porquê, mas eu só queria atenção! Mary recebia mil e
um mimos, e ela já tinha oito anos, e eu, com quatorze, era deixada de lado.
CLARO que tudo não passou de uma crise de adolescente. Quando eu tinha 17 anos
consegui uma bolsa de intercâmbio nos EUA, falo inglês fluente desde os 15
anos, e após muita burocracia, quando completei 18, consegui a licença para
morar lá. Foi fácil estabilizar-me no novo país, meu pais me deram um bom
dinheiro e consegui alugar um apartamento. Trabalhei na recepção de um hotel
para ajudar a pagar a minha faculdade que iniciei alguns meses depois de minha
chegada. Astronomia era o meu desejo, mas acabei optando por engenharia civil,
algo mais ao meu alcance naqueles tempos, já que o mercado de trabalho era
maior. Quando terminei os cinco longos anos de faculdade muitas coisas haviam
mudado. Consegui um emprego em Los Angeles, cidade das celebridades, e passei a
morar sozinha em um apartamento próprio. Aos 23 anos tive meu primeiro
relacionamento sério, Victor, que se assustou em conhecer uma mulher virgem de
23 anos. Infelizmente ele se mudou para Miami e a distância não cooperou.
Victor foi meu primeiro e único namorado, agora, em 2013, com 26 anos, tenho
apenas ficantes, virei até a piada da família, a “encalhada”. Moro no mesmo
endereço e no andar de baixo, mora minha atual melhor amiga, Megan, e ela fica
mais aqui do que na própria casa. Posso parecer tímida, mas se juntar nós duas,
ninguém me segura. Ela é totalmente diferente de mim, e isso é o que faz dar
certo! Aliás, combinamos dela vir assistir um filme aqui hoje, deve estar
subindo logo. A campainha toca e lá está Megan. Aí que a história começa!
-Oi Lice!- diz ela sorrindo- Eu tenho uma
bomba pra te contar, mas primeiro, A PIPOCA TÁ PRONTA?- tenho que rir de seu
jeito afobado. Seus cabelos castanhos estavam soltos e ela estava toda agasalhada,
afinal estamos no rigoroso inverno.
-Ah folgada, eu procuro o filme e você faz a
pipoca!
-Tah, tah, só quero minhas pipocas!
Ela foi estourando as pipocas enquanto eu
peguei as cobertas e as levei na sala, achei o filme e fiquei esperando-a.
-Pipocas!- exclamou arregalando os olhos.
-Já entendi que você gosta de pipoca, agora
senta e fecha o bico. - brinquei.
-Ah é assim? Vou pra casa então!- fingiu-se
de ofendida- Mas eu levo a pipoca junto!- fala fazendo-nos gargalhar.
-Mala!- resmungo assim que ela se joga sobre
mim.
-Mala que você não vive sem, admita!- diz
fazendo beicinho.
-Convencida! Mas qual era a notícia
bombástica que a senhora queria me contar?
-Senhora? Que papo é esse? To tão velha
assim?- fala passando a mão pelo rosto- Enfim! Você não acredita quem eu vi na
balada “monstra” ontem!
-Primeiro, o que você estava fazendo em uma
balada ontem?
-Amor, era sexta-feira o que você quer? Você
que fique com seus livros, sua coberta, seu amado frio, suas estrelas e
deixa-me ir pra balada, aliás, você devia me acompanhar ta mocinha? Vive
enfurnada em casa!
-Esse não é o assunto- não gosto que
critiquem meu jeito.
-Enfim, eu encontrei nada mais, nada menos
que Bruno Mars- falou ela gritando.
-Uau, mas tudo isso só porque viu ele? Já
passei por ele em restaurantes, nas ruas, várias vezes, você também!
-Nossa como ele é lindo- continua ela
ignorando o meu comentário- Gato! Mas você não entendeu, eu ENCONTREI ele,
encontrei os cachinhos dele, encontrei a boca dele!- diz mordendo os lábios.
-AAAAAAAAAAAAAAAHHH MEGAN!- gritei- Sério?-
estava boquiaberta.
-Super sério, e como tem pegada- falou ela
rindo.
-Megan!- parecíamos duas adolescentes-
Poupe-me dos detalhes! Mas, hum, ele não tem namorada? Uma modelo se não me
engano.
-Tem sim, uma tal de Jessica, mas lá estava
só com os amigos... eu acho, não prestei muita atenção- falou naturalmente.
-Iiihh desceu no meu conceito!
-Lice, acorda! Nesses tempos não tem isso de
namoro perfeito, como contos de fadas! Eu não ia desperdiçar essa chance!
-Você já sabe minha opinião...
-Olha, nem todos são como Victor, ele é um
tipo raro... e passou! Você já tem 26 anos e foi pra cama com quantos homens?
-Isso não vem ao caso, ninguém entrou no
assunto, só odeio traição!- falei já irritada.
-E quem gosta? Mas agora é assim, e é bom
você se apressar, até Mary está namorando, quer virar uma velha sozinha?- fez
uma pausa- Ah desculpa! DESCULPA! Eu não queria falar tudo isso! Desculpa?-
pediu fazendo biquinho e me abraçando, nisso derruba toda pipoca na coberta.
-Olha isso! Olha o que eu tenho que aturar,
uma amiga pegadora que derruba pipocas na minha coberta! Vou fazer você lavar!-
falei sorrindo e ela me abraça- A gente ta perdendo o filme!- avisei enquanto
estava sendo esmagada pelo seu abraço.
-Ah é verdade!- diz ela me soltando e
comendo uma pipoca que estava na coberta. - Que filme?
-TAM TAM TAM TAM! Titanic! Lançamento-
falei.
-O filme que não importa quantas vezes você
assistiu, sempre irá chorar!- diz ela fingindo estar limpando as lágrimas.
-Eu choro é na hora que ela joga aquele colar
lindo no mar, eu quero ele!- falo fazendo-a rir.
-Cala a boca que quero ouvir!
-Folgada!
No meio do filme eu já nem prestava mais
atenção, o fato de minha melhor amiga ter ficado com um astro não saía da minha
cabeça. Principalmente o BRUNO MARS, ele é um gato, mas eu estou com medo de
algo acontecer, Megan se envolve facilmente e ele tem namorada, então...
+++
Dor nas costas! Megan e eu acabamos
adormecendo no sofá ontem, ela estava toda atirada e mal colocada, mas um
pequeno sorriso se formava em seus lábios, deve estar sonhando com algo bom...
eu não lembro de nada, mas tenho forte impressão de que sonhei, estranho.
Levantei e fui até o banheiro, está frio, bem frio! Dá vontade de passar o dia
inteiro na cama, uh boa ideia! Nossa estou com olheiras enormes, foi o que
pensei quando vi meu reflexo no pequeno espelho do banheiro. Hoje é domingo,
e... Droga é domingo, dia 17 de fevereiro para ser mais exata, e vai ter a
feira de livros! É um programa de incentivo à leitura, uma vez por mês haverá
uma feira de livros por aqui, e eu não resisto a eles. Odeio quando eu decido
fazer uma coisa e lembro que já tenho compromisso! Lavei o meu rosto, com a
água congelante só pra lembrar, fiz minha higiene matinal e voltei pra sala
acordar Megan.
-Levanta preguiça!- puxei as suas cobertas,
o que a fez se encolher.
-Ai Lice! Você e sua mania de acordar
cedo... faça suas coisas e me deixa dormir poxa!- é, isso que é mau-humor
matinal.
-Cedo? Já são dez horas! Levanta que eu
quero arrumar essa sala, tem pipoca pra todo lado...
-No fim de semana dez horas é como se fosse
seis! Sabe quem você parece? A minha mãe... - diz levantando-se lentamente e
indo em direção ao banheiro.
É, a relação dela com sua família nunca foi
das melhores, provocada, principalmente, pelo seu jeito de ser. A mãe de Megan,
Judith, sempre foi muito recatada, das antigas, e seu pai, Julius, machista.
Não dei bola pra suas reclamações e arrumei aquela bagunça, não que eu seja
obcecada por limpeza, mas não gosto de viver no meio da sujeira. Fui até a
cozinha e comecei a preparar o almoço, já que o café da manhã não tem mais
chance a essa hora!
-Hmmm! Que cheirinho bom! Não me diga que
está fazendo o delicioso macarrão da Alice!- diz ela saindo do banheiro.
-Ah o senhor mau-humor já foi embora?-
debochei- E, sim!
-Ai você sabe que eu não resisto! Eu não
posso engordar... - diz ela apalpando o abdômen, como se houvesse gordura ali.
-Ah pare de ser chata ou vai fazer miojo de
legumes e coma sozinha também!
-Ih acho que o senhor mau-humor não foi
embora não, só incorporou em você- falou ela beliscando a minha cintura.
-Há-há-há muito engraçado, começa a arrumar
a mesa, ou faz um suco.
-Tá bom mãe, mais alguma coisa?- fala ela
fazendo-me rir, odeio quando estou irritada e me fazem rir.
-Não filha amada, por enquanto é só isso
mesmo.- entrei na onda.
-Ow não tem laranja aqui!- grita ela da
despensa.
-É lógico, por que eu acho que a laranja
fica na fruteira, não?- falei.
-Credo, ta com a patada no modo automático
hoje hein, coitado dos gatinhos que partirem pra cima...- brincou.
-Ai Megan, só você- falei, rindo- Você vai
hoje comigo né?- experimentei o molho, que, aliás, estava muito bom.
-Vou?- ligou o juicer e assim que terminou
de espremer aquela laranja, continuou- Vou aonde?
-Não se lembra?- e novamente fomos
interrompidas pelo “pequeno” barulho- Na feira do livro!- falei mais alto para
ela conseguir me ouvir.
-Na freira do que?- perguntou ela me
causando um ataque de riso. A minha risada é até discreta, mas esses meus
ataques não, pareço mais uma foca gripada tendo um ataque epilético.
-Feira do livro sua surda!- respondi assim
que me recuperei.
-Ah sério que você vai me arrastar até lá
nesse frio?- falou ela com certa indisposição na voz.
-Sério, sério, bem sério! Você prometeu, e
sei que alguns famosos cooperaram com o programa, é bem provável que vão à abertura.
- chantagem foi o que restou.
-Será que o Bruno vai estar lá? Ai será?-
empolgou-se.
-Morena! Se ele vai, vai acompanhado né?-
dei a real.
-Oh “Lora”, eu sei, mas olhar não tira
pedaço, tira?- falou dando um sorriso malicioso.
-Acho bom, muito bom!
Ela continuou fazendo o suco e eu
terminando o almoço, meu macarrão é somente a massa com molho branco e
calabresa, mas realmente fica uma delícia, quando vim pra cá não sabia fazer
muita coisa na cozinha, não herdei esse dom da família, aos poucos fui fazendo
e aperfeiçoando a receita. Tenho um temperinho secreto, que é... segredo.
Coloquei tudo em uma tigela de vidro e ralei um pouco de queijo em cima,
coloquei no forno por uns dois minutos só pro queijo derreter um pouco.
Coloquei na mesa, e Megan serviu o suco.
Entre uma garfada e outra conversávamos sobre algum assunto aleatório, mas sei
que por sua cabeçinha só se passava “Bruno”. Assim que terminamos eu lavei a
louça e ela secou, como já era passado de meio-dia e a feira começava às duas
horas, ela resolveu ir para seu AP para se arrumar. Eu peguei minhas coisas e
fui para o banho. Fiquei um bom tempo só deixando a água correr, hoje está um
dia pesado, céu fechado, eu gosto do frio, mas não da chuva.
Fui até o meu quarto e não fiz muita cerimônia
para escolher a roupas, deixei meu cabelo solto, apenas fiz uma escova rápida
pra diminuir o frizz. Uma maquiagem leve pra disfarçar as olheiras e um batom
avermelhado, mas bem natural. Logo Megan estava tocando a campainha.
-Nossa! Tudo isso é para o Bruno? Quê isso gatinha...- brinquei.
-Não, o que está por baixo da roupa é pra
ele...- brincou ela.
-Desde quando eu tenho uma amiga tão safada
assim? Meu Deus!
-Desde sempre amor! Vamos?
-Antes não queria ir, agora ta me
apressando... Tá podendo hein Brunão- falei como se ele pudesse ouvir.
-Ah vai se catar- diz ela batendo em meu
braço- Se é pra ir, vamos logo.
Desliguei as luzes, fechei a porta e fomos
até o estacionamento. Acabamos resolvendo ir com meu carro. Estávamos a
caminho, e o rádio estava ligado na minha estação preferida, e por acaso, ou
não, adivinhe a música de qual cantor que tocou?
-“Cause you make me feel like, i’ve be locked out of heaven!”- cantava
ela.
-Agora
só falta ele começar a nos perseguir… - suspirei!
-Fica quieta, quero ouvir- falou/mandou ela.
Ri e continuei a prestar atenção no
trânsito, logo depois tocou Miley Cyrus, se não me engano, “We can’t stop” e a
vi resmungar algo, brava pelo término da música... Essa Megan não tem jeito
mesmo.
-Chegamos!- falei despertando-a de seus
pensamentos.
-Hum- virou-se e abriu a porta.
Eu fui indo na frente e logo ela se
apressou e ficou ao meu lado, estava com a cara amarrada. Antes de entrar parei
e perguntei:
-Por que está com essa cara?
-Ué, é a mesma cara de sempre, linda como
sempre!
-Pare de ser bocózona um pouco e diz logo. -
ordenei.
-Pensar que aquela música foi feita pra
namorada dele não me fez bem... - demorei um pouco pra entender “quem” “porque”
“como”.
-Ai Megan, acorda menina! Pare de sofrer por
coisas inúteis, você só ficou com ele uma única vez- ela abaixou a cabeça e
apenas assentiu- Hey, não fica assim, quero ver a Megan de sempre, radiante,
tagarela, pagando mico. - ela riu e me abraçou.
-Eu pago muito mico?
-Bastante, demais, muito, quase nem pode
sair de casa mais, já ta com cara de macaco... - fui interrompida por um
beliscão (que não doeu nada por eu estar cheia de casacos) dela.
-Pois você vai pagar junto!- falou- Uhuul!-
gritou em seguida.
-Por favor, fique triste de novo e me poupe disso...
- fiz biquinho.
-Own tadinha, vida sofrida... vamos ficar
aqui pra sempre?
-Você que está enrolando- falei seguindo em
frente.
-Abre alas pra Megan, porque ela vai arrasar...
-Ai você ainda me mata de vergonha- suspirei e ri.
Moças eu vou fazer de td pra n acontecer como a outra, e estou pensando com calma o q vou fazer... algo me impede de escrever ela :/ MAAAAS as boas novas é q por pura pressão da senhorita Drielly, quer dizer, por livre vontade, aqui está o primeiro capítulo, espero que gostem ^^


Adorei! Megan é de mais! <33
ResponderExcluirEssa Megan já ganhou meu coração, mas sinto que essa amizade pode se balançar caso a Alice venha a ficar com o Bruno. Bom, tomara que eu esteja errada. Aiiii eu preciso de mais um capítulo, e prometo que essa eu acompanharei até o fim <3 perfeito.
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